31 de maio de 2016

Diga aos Lobos que Estou em Casa, Carol Rifka Brunt

Faz tempo que não falo de livros aqui no blog, não? Vamos ver se consigo tornar as resenhas um hábito novamente. Comprei esse livro única e exclusivamente por causa do título “DIGA AOS LOBOS QUE ESTOU EM CASA”. Achei que seria uma história boba de aventura, envolvendo alguma floresta e alguns lugares mal assombrados. Mas no final não era nada disso! O livro conta a história de uma menina de 14 anos chamada June Elbus que precisa lidar com o luto. UMA HISTÓRIA SOBRE LUTO!

“Se a minha vida fosse um filme, eu já teria saído do cinema”

O ano é 1987 e a nossa protagonista é uma menina tímida, ama a Idade Média, música clássica, não é muito popular na escola. Seu único amigo é seu tio/padrinho Finn Weiss, um renomado pintor, que por um acaso está morrendo de AIDS. Finn decide pintar um quadro das suas sobrinhas como seu último trabalho, então, todo domingo June e sua irmã mais velha, Greta (insuportááááaááááveeeeeeeeeeel), vão para o apartamento do tio posar para a pintura.

São 66 capítulos que passam voando... 

Sabe quando você não dá NADA para a história e a autora desenrola trama e desenvolve os personagens com tanta sutileza que você deseja ter escrito o livro? Foi isso que aconteceu comigo.

Nessa nossa sociedade moderna, tratamos a morte e o luto como temas tão pesados, do tipo, não vamos falar sobre isso. Não vamos falar da dor da perda, nem de uma doença incurável e muito menos como devemos sentir em relação a isso.Quando uma pessoa querida morre a gente acaba descobrindo várias coisas, vários segredos (vamos assim dizer). E difícil abordar esse sentimento de “exclusão” (quando você descobre detalhes desconhecidos da pessoa que morreu) e autora aborda de uma maneira TÃO REAL, que queria abraçar toda hora os personagens enlutados.

Além de luto e AIDS, segredos dos vivos e dos mortos sendo revelados, cada capítulo do livro a autora mostra a relação conturbada entre as irmãs June e Greta. Na infância eram melhores amigas, na adolescência completas estranhas e como isso foi acontecendo.

Diga ao Lobos que Estou em Casa é uma história para todos, com personagens sensíveis e realistas, super bem escrito e amarrado. Não é piegas e nem apelativo. Conta a história de uma adolescente que perde seu único amigo e como é importante compartilhar essa dor e falar sobre ela com outras pessoas. Leiam, leiam, leiam!

“— O Finn nem parecia se importar de estar morrendo – comentei.E era verdade. Finn estava calmo como sempre até a última vez em que o vi.
— Você não sabe? Esse é o segredo. Se você sempre garantir que é exatamente a pessoa que esperava ser, se sempre garantir que conhece apenas as melhores pessoas, então não vai se importar de morrer amanhã.
— Isso não faz nenhum sentindo. Se você fosse tão feliz, então iria querer ficar vivo, não iria? Iria querer ficar vivo para sempre, para continuar sendo feliz.— Não, não. São as pessoas mais infelizes que querem ficar vivas, por que acham que não fizeram tudo o que querem fazer. Acham que não tiveram tempo suficiente. Acham que ganharam menos do que mereciam.”


PS: se você gostou de Procurando pro Alasca (do John Green, em breve vou resenhar aqui), Como Eu Era Antes de Você e Extraordinário, esse livro é MUST READ pra você. 


2 comentários:

Carmem Silvia disse...

Vim parar aqui pela Central do Textão.
Gostei!

Priscila D. disse...

Vim parar aqui há tanto,tanto tempo (te lia no mão feita) nunca comentei. Adoro as resenhas dos livros, adoro sua escrita franca, obrigada por compartilhar de um jeito tão agradável.Terminei o "como eu era antes de vc" semana passada e ainda estou digerindo. Vou experimentar esse.