9 de dezembro de 2016

Eu só quero dar certo

Eu amo fim de ano porque além de Natal e Ano Novo (eu acho divertido, mesmo), sempre rola aquele balanço pessoal dos acontecimentos. As coisas boas, as treta e os tropeções, os planos saindo do papel, o amargo da decepção e por aí vai.
2016 começou com dois pés na porta, levando um monte de gente embora (Bowie) MEUDEUSDOCÉU QQ TÁ ACONTECENDO COM A POLÍTICA e aquela pergunta constante: o que estou fazendo com a minha vida?


O que estou fazendo com a minha vida?
O que tô fazendo com a minha vida?
O que tô fazeno ca minha vida?

O qqfazeno ca minha vida?

Em 2016 eu completei 30 anos de vida e não conquistei nada daquilo que se espera de uma pessoa com trinta; conquistei bem menos daquilo que meus pais imaginaram pra mim. Sempre quando penso nessas expectativas que foram depositadas sobre mim e quanto mais eu fico longe do que era esperado, eu fico triste. Aquela tristeza que fecha a garganta e faz os olhos transbordarem. Aquela tristeza do peito pesado e desesperança tão grande de não saber literalmente o que fazer. 

Eu fui a primeira dos meus primos a ir pra faculdade. "A Camila é muito inteligente. A Camila vai se dar bem". Quando eu escolhi Hotelaria e deixei Letras de lado, eu estava pensando no dinheiro. Passava em frente do Renaissance e sonhava em trabalhar lá. Eu pensava em viagens e dar conforto pros meus pais. "A Camila é inteligente. Ela vai virar gerente". Fui uma das últimas da minha sala a conseguir estágio. Trabalhei e aprendi bastante na hotelaria. Sempre me doei ao máximo. Dormia no hotel, fazia hora extra, ensinava os mais novos, me esforçava ao máximo. Participava de tudo, criava campanhas disso e daquilo, vestia a camisa. Toda vez que tentava dar um passo adiante, era uma frustramento. Quantas vezes eu treinei pessoas que acabaram pegando o meu lugar ou uma vaga que queriaQuantas vezes eu cobri férias de supervisor pra nunca ser lembrada na hora da promoção ou oportunidade interna? "Ah, mas você chegou agora! É novinha!", eles diziam. Cada vez que eu saia de um emprego e ia pra outro, nada era falado, mas eu sentia aquela cobrança de "apostamos em você mas sabia que você estragaria coisa no meio do caminho" ou então "você tem mania de perseguição, todo emprego é ruim". A última briga com o meu pai (e foi uma briga horrorosa) foi porque eu estava com salário e vale transporte atrasados. Eu estava revoltadíssima. O primeiro mês no emprego eu não reclamei. Tava com medo. Nos meses seguintes eu queria tacar fogo em tudo. E meu pai não aceitava isso, porque "você não está passando fome e existem coisas piores na vida". Eu só queria meu dinheiro devido. E foi pensando em dar conforto aos meus pais e retribuir tudo o que eles me deram, eu estava ali, discutindo na mesa de jantar e decepcionado mais uma vez. 

Eu aprendi a viver com essa descrença em mim mesma durante anos. Tanto tempo que eu nem sei. Mas as coisas realmente mudam de fato quando você acredita naquilo que faz e tenta isolar no máximo as pessoas falando que você não vai conseguir. 

Acreditar nos planos e levar a coisa a sério. Sair na cama mesmo sem vontade porque as coisas não acontecem comigo parada. Eu tive que recomeçar tantas vezes e isso me incomoda um pouco. Esse meu delay em relação aos meus amigos, essa lacuna de estar engatinhando enquanto todo mundo já está andando de bicicleta. Toda vez que penso nas fichas dos meus pais empoeirando com o passar dos anos, mais frustrada eu fico. Então eu não penso mais nas expectativas alheias, eu penso nas minhas. É um exercício diário para o meu cérebro e minha ansiedade. É daqui pra frente. Tenta de novo. Faz diferente. Não tenha pressa mas também não se acomode. 

Em 2016 eu vi tanta gente mostrando as suas verdadeiras cores e conquistando cada coisa linda. Bia publicou um livro, meu irmão e cunhada agora tem uma filha, Letícia gravidíssima, Flávia bombando no Pop Plus Size, Saboaria Tamarindo da querida Virgínia, Manza comprou seu primeiro apartamento, Luis passou no concurso, Lets arrazany como maquiadora. Eu cerquei a minha mente disso. E por mais que ainda tenho que escutar "você não pode tudo não", eu sei que eu posso. Cada vez que me fortaleço, sempre tem alguém pra dar aquela risadinha de descrença ou apontar o dedo em um momento de fraqueza.

Eu tô tentando. Eu só quero dar certo nesse ano, no próximo e no que vem depois deste. Quero ter orgulho de mim mesma. Anseio pelo meu próprio espaço, por viagens, remuneração através da escrita e da fotografia. Quero que isso aconteça demais. 2016 me ensinou isso. Se você tá atolada numa fase ruim, é porque ainda não aprendeu todas as coisas que poderia pra sair do atoleiro. Eu só quero dar certo. Da minha maneira, do meu jeito e superando as minhas expectativas. 

Torçam por mim 💖


5 comentários:

Joara disse...

Camies, tu podes tudo, sim!! Confia e vai.. que 2017 já deu certo! <3

Bia Lombardi disse...

Camies, sua linda!
Eu torço por você todo santo dia, acredite <3 Até hoje eu ainda busco pelo meu caminho, sabia? Já mudei também tanto de 'profissão' que parei de contar...e já me vejo tomando outros rumos em 2017.
Recomeçar é uma constância e, apesar de desafiador, é sempre uma nova chance.
Força pra ti!
Love you, you know ;)

Marcela disse...

Camies, sua linda!!! Estou sempre na torcida, pq uma pessoa incrível como você só merece ser feliz e mais nada!!!

Vai com tudo!!! :-*

Natasha Brizzola disse...

Vai dar muito certo Princesa! Vc merece isso e muito mais

Ramierson Macedo disse...

Vai dar certo!!